quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Tsunami

Teve um ano que foi um tsunami em minha vida. O ano de 2006.
Muitas mudanças voluntárias e involuntárias choacoalharam tudo a minha volta.
Quando fui para a Tailandia, quase 2 anos depois, do Tsunami lá e do meu tsunami pessoal, fiquei muito impressionada com tudo, fui conhecer com sobreviventes, gente que reconstruiu a vida, gente que continuou traumatizado, entre outros.

Tsunami ou não tsunami, um caldo é um caldo e machuca até a honra.
E eu tomei o maior caldo no domingo, e não foi figurado, foi real.
Estava na praia do Leblon, uma versão kieviana da garota de ipanema. Protetor solar fator 60, biquini tomara que caia. Caiu. A onda derrubou tudo. Quando vi aquela onda vindo, mergulhei, mas nao teve jeito.
O resultado foi patético.
Minhas pernas foram parar nas minhas orelhas. Meu biquini foi parar na testa. Fui rolando e ralando na areia. Na hora dá vontade de rir e chorar ao mesmo tempo.
No fim, quando você finalmente para, esta bem no rasinho, a água na altura do tornozelo, e eu lá, toda desfigurada e envergonhada!

E o pior é que não era um tsunami, uma onda de 5 ou 10m. Era uma onda usual do Leblon. O que não era usual, era a paulista mané por lá.

Moral da história: Ressaca, só se forem os olhos da capitu
Moral 2: malandro é malandro, mané é mané
Moral 3: viver é perigoso

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Homenagem a um amigo que se foi

Um amigo que tinha grandes tiradas. Sempre tinha uma frase divertida para momentos propícios.
"casamento é igual a piscina gelada. O primeiro pula, tá aquele frio dos inferno e ele chama todo mundo: vem, vem que é ótimo"

"casar é bom, mas queimar no inferno é melhor"

"a gente fala mal de amigo pelas costas, que é para não magoar"

Era aquele tipo de cara que a simples presença já faz o lugar ficar divertido. O jeito de falar já era engraçado. Inteligente, se fazia de bobo. Machista, não tomava uma decisão sem consultar a esposa.

E ele se foi. Não é que ele tenha morrido, felizmente não foi isto o que aconteceu, mas a alegria dele partiu. Fez algumas escolhas estranhas, tomou atitudes controversas, e a convevivência com ele não será mais possível.

Que pena!

domingo, 4 de outubro de 2009

Vocabulário

Cada profissão tem seu vocabulário típico. Parece uma forma de excluir os outros, ou de mostrar uma unidade, ou de exibir um saber específico.
Cancêr nuncaé câncer para os médicos e sim CA.
Verruga nunca é verruga, sempre tem um termo muito mais difícil.
Área financeira então, nem se fale! A coisa às vezes é tão simples, algo como comprar ou vender, e tudo é transformado em derivativos, vested ou não vested, etc, etc.
Os psicólogos adoram falar de transferência, contratransferência, posições tardias, e assim vai.
Os que mais me divertem são os decoradores. As cores não combinam, elas compõem. Os móveis não são móveis, são peças. As peças precisam conversar entre si. Fico preocupada com meu criado-mudo que não conversa com ninguém. Super fora de moda.

sábado, 19 de setembro de 2009

Fazer ou pagar para fazerem?

Tem gente que nasceu com a capacidade de consertar coisas. E tem gente que nem sequer se atreve a tentar consertar coisas e que quando tenta, só se dá mal.

Trouxe da Tailândia, uma bela estátua de artesanato. A estátua quebrou no vôo. Comprei superbonder para colar a parte quebrada. Tendo em vista meu histórico com superbonder, resolvi usar um pano, para não colar o dedo na estátua. Foi um desastre: colei os quatro dedos no pano e o pano na estátua. Haja água corrente para soltar tudo. Os dedos ficaram com cola por uns 3 dias.

Acho incrível aquelas pessoas que sabem desmontar uma tomada, arrumar fio, fio acola. E nada tem a ver com instrução, afinal nunca vi um eletrecista, ou encanador, com PhD. Parece ser algo nato.

Hoje sugeri a uma pessoa que precisava levar um quadro gigantesco, de presente de casamento, para o interior, que amarrasse em cima do carro. A outra opção era despachar via correio (em greve) ou alugar um carro imenso para que o quadro coubesse.
Ele comprou plástico bolha, preparou uma treliça para amarrar o quadro no capô do carro e partiu em viagem. Resultado: o quadro quebrou no meio, ele que era o padrinho do casório, não chegou a tempo, porque teve que parar várias vezes na estrada para re-amarrar o quadro, inutilmente, já que quebrou no fim da história, e eu ainda estou me sentindo culpada por ter dado a ideia de girico.

A propósito, não sei o que é girico, mas parece que suas ideias fazem parte da minha especialidade

domingo, 6 de setembro de 2009

Óculos e Ósculos

Usei óculos muitos anos. Um mais feio que o outro, uma mais frágil que o outro, o que me deixava bastante estressada, afinal já fui míope de 6 graus. Ah, quantas vezes não quebrei os óculos. Perder, nunca perdi. Nenhum míope de 6 graus perde os óculos. Não é louco.
Depois veio a lente de contato. Era super cara e trabalhosa, tinha que ferver todos os dias, um momente de cuidados. Aos 23 anos me livrei disto tudo. Não tem preço enxergar o shampoo no banho depois de 15 anos. Não teve preço acampar em machu picchu sem precisar me preocupar com a chuva embassando os óculos ou com os cuidados de higiene da lente de contato.

Grande parte dos meus amigos que também operaram, tiveram suas míopias (ou parte delas) retornadas. Felizmente ainda não fui inclusa neste grupo. Nem tampouco, pela idade, no grupo dos que precisam de óculos para ler. Ainda tenho alguns anos para aproveitar.

E eis, que subitamente, as animações que eu tanto gosto de ver no cinema, passam a exigir óculos, porque são 3D. Why the hell???

Não me faz diferença se os balões do Mr. Friederissen estão a um palmo de distância. A beleza deles está nas cores e nos sonhos, e não na proximidade.

E fiquei pensando em quem é míope e tem que colocar um óculos sobre o outro. Que chatice!

A miopia sai de você, mas você não sai da miopia!

domingo, 16 de agosto de 2009

Fortune teller

Quando aprendi o tempo verbal do futuro em inglês, me lembro que a lição era de uma cartomante. You are going to, you will, etc.

Sempre fui do tipo que fico com um olho no agora, mas meio míope ainda, e um olho com uma visão tentando ser bem aguçada no futuro. Eta pêndulo entre passado e futuro, que quase nem para no presente.
Uma mistura de nostalgia com uma antecipação.

Hoje eu soube de uma teoria que o mundo vai acabar em 2012. Bom, ja sobrevivemos a 1999, nao me parece muito provavel que acabem em 2012. Me disseram que trata-se de uma profecia asteca, mas convenhamos, que o mundo já acabou para os astecas há bem mais tempo, lamentavelmente.

Se acabar em 2012, será uma pena. Até lá, eu já terei ido para muitos lugares, mas ainda faltarão muitos outros. Na minha lápide (se o mundo acabar, acho que não terei lápide!) gostaria que estivesse escrito que agora fui para o único lugar que faltava conhecer. Que bom que ainda faltam tantos...

E por falar em cartomante, se tudo der errado na minha vida profissional e se eu precisar virar estelionatária para sobreviver, esta será minha escolha de profissão.
Consigo me imaginar, falando seriamente, para a pessoa na minha frente, alguns chavões. Enquanto isto não acontece, em vez de ganhar dinheiro com isto, vez em quando eu jogo dinheiro no lixo com isto!





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quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Ora Horas!

Meu relógio quebrou.
Era um relógio bem sem gracinha, mas com alguns quesitos fundamentais: números, era pequeno para acomodar-se bem no meu pulso ínfimo e era discreto (o relógio, não meu pulso).
Resolvi fazer uma tentativa: não vou mais usar relógio. Tenho como saber as horas no celular, no computador, no painel do carro. Suficiente.

Além disto, tenho um relógio biológico dentro de mim. Quando o estômago começa a grudar nas costas e a roncar: são 11hs da manhã. Ainda tem que esperar 1 hora para os restaurantes abrirem. Quando dá uma vontade louca de fazer xixi, faltam ainda 15 min para chegar em casa, quando o melhor do sonho está em curso, eu estou voando, ou nadando com as baleias, é a hora de acordar e ir trabalhar. Quando começa a dar um friozinho na barriga, é domingo 23hs, quase segundona.

Lembrei que existem 2 tipos de pessoas que não usam relógio: aquelas que verdadeiramente não se importam que horas são, que chegam atrasadas invariavelmente para tudo, que não sabem nem que dia da semana estão, e aquelas que pretensamente não ligam para as horas, mas na verdade, passam o dia todo perguntando para quem está ao lado: que horas são?

Conclui que não me enquadro em nenhum dos dois grupos e comprei um relógio novo. Foram 48hs sem meu companheiro fiel, aquele que legitimiza a minha fome, que me acompanha nas horas aflitas em que estou atrasada para algo, que me ajuda a passar pelo tédio, enfim que faz parte do meu corpo.

Considerando que não tenho idéia se alguém ainda lê o que escrevo, e a falta de comentários, aproveito para me perguntar: será que é hora de aposentar este blog?