domingo, 11 de julho de 2010

Life experience

Passeando no Grand Baazar. Eu olhava a vitrine de uma loja, o mago-vendedor captou o meu olhar e queria que eu entrasse.
I am just looking, eu disse.
And I am just showing, foi a pronta resposta.
Não sei o que aconteceu. Fui hipnotizada. Quando dei por mim, eu já estava dentro da loja, meus colegas de trabalho, tomando chá ao meu lado e eu escolhendo um tapete. Tapete? Como eu vou levar um tapete para casa?
Não sei explicar o que houve.
Tudo o que eu sabia era que comprar um tapete subitamente tinha se tornado uma prioridade na minha vida.
O vendedor me dizia que fazer esta compra era uma experiência de vida. E inebriada por tudo a minha volta, eu acreditei.
Não fiz a compra. Resisti bravamente.
Dois dias depois, voltei ao Bazaar. Passeava despretenciosamente quando de repente ouço: olá, senhorita, seu tapete está guardado para você. Olhei, e me deparei com o vendedor-mago-hipnotizador.
E ele continuou: - seu tapete, vermelho, deixei guardado para você, venha ver.
Fui acompanhando-o como Ulisses, ouvindo o canto das sereias.
Cheguei a pensar que eles colocam algo no chá te maçã, tão habitual por la, porque lá estava eu zonza, novamente.
E desta vez, não saí sem o tapete.
Queria ter levado um muito maior, um tapete voador, mas para experiência de vida, um médio já foi o suficiente.
Suficientemente dificil de levar para casa também!
Outra life experience bem válida...

terça-feira, 29 de junho de 2010

O que houve com os envelopes?

Eu sei que desde a invenção dos e-mails, as cartas saíram de moda. Não sinto falta nenhuma. A velocidade do e-mail me agrada muito mais. No entanto, me pergunto: será que as pessoas deixaram de entender para que serve um envelope?

Nesta semana, pedi para uma pessoa deixar um documento para mim na portaria do meu prédio. Tratava-se de uma transação comercial, e a pessoa, sem a menor preocupação com discrição, deixou o envelope aberto. Claro que não se tratava de nenhuma quantia de mega sena, mas custava grampear ou colar o envelope? Precisava deixar o documento, que falava de dinheiro totalmente exposto para que qualquer pessoa na portaria consultasse?

Bom, muitas vezes algo ruim, consegue ficar pior. Fiz o check up anual. Pedi que os exames fossem entregues na minha residência. Para minha surpresa, ao chegar em casa hoje, e receber o envelope das mãos do porteiro, constava na parte de fora do envelope um protocolo de entrega: seguem os resultados dos exames relacionados abaixo:
- colpocitologia oncotica, avaliação fisiátrica, papanicolau, etc, etc, etc.

Fiquei contente de lembrar-me que estamos em plena copa do mundo, e talvez os porteiros estejam ocupados demais para perderem tempo vendo este tipo de correspondência bem interessante que tem chegado para mim nos últimos 3 dias, mas algo me diz que entre um jogo e outro, alguma olhadela houve, porque hoje o zelador me olhou com uma cara de quem estava muito preocupado com a calcificação inespecífica no meu fígado...

domingo, 13 de junho de 2010

Quem procura, acha

Aprendi que olhar gavetas alheias nunca é uma boa idéia.
Na hipótese menos nociva, a única coisa encontrada é um exemplar da bíblia nos hotéis.
Na gaveta do meu criado-mudo há muitos anos tem sempre as mesmas coisas: o espelhinho verde e a pinça de sombrancelhas, uma caneta para marcar as partes preferidas do livro que eu estiver lendo; termômetro e papel higiênico para as fases de gripe. Simples assim, mas o espelhinho verde, já muito velho, pode causar uma péssima impressão.
Em gavetas alheias, evito olhar, mas às vezes, é inevitável.
E eis que alguém foi olhar na gaveta da casa de outra pessoa e encontrou uma receita médica de como tratar hematomas! É verídico. A receita sugeria alguns cremes para suavizar hematomas.
Se dizia o que causou os hematomas, não sei. Nem é bom imaginar...

Há alguns anos, quando eu mudei de trabalho, comecei a ficar cheia de manchas roxas pelo corpo. Fiquei preocupada e fui orientada a fazer um exame de coagulação. Deu tudo normal. As manchas continuavam a aparecer, nas duas pernas. Demorou 2 semanas para eu descobrir que estava me batendo no mobiliário da empresa, sem perceber. Mudando algumas coisas de posição, nenhuma mancha nova apareceu.
Se eu tivesse uma receita médica para eliminar manchas roxas, o médico deveria ter sido bem específico: menos estabanamento.
Difícil seria seguir as ordens médicas.

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Tranca

Achei este texto que escrevi ha uns 2 anos...na epoca das tranqueiras, grupo de amigas que se reuniam para jogar tranca.


No meio de devaneios, pensei no jogo de tranca e nas semelhanças que tem com a vida.

Quantas vezes a gente posterga uma decisão porque acha que ainda não é o momento certo?
Estragar um jogo e bater ou esperar um pouco mais? E quando a gente aposta nossas fichas em bater, que, na verdade, significa um novo recomeço, com cartas novas na mão, e na verdade o morto vem piorar o que esperávamos melhorar…

E o que dizer das vezes que a gente conta com o nosso parceiro, acha que se nossa mão não tem nada, o parceiro tem quase que o dever de nos tirar daquela enrascada, e nem sabemos o que está se passando na mente, digo, na mão do parceiro…
E quando o parceiro faz a maior burrada, a gente tem vontade de xingar, mas temos que nos lembrar, que vez ou outra, a gente também se distrai, e também é sujeito de burradas enormes…
E quando a gente deposita nossas esperanças na sorte, acha que no fim tudo dá certo, e se dá mal…
E as vezes que a gente fica na maior dúvida do que fazer com um coringa que aparece nas nossas vidas…
Onde e quando é melhor usar um coringa… Será que virão outros…
O que mais me intriga é a canastra real… Quantas vezes somos agraciados na vida por ela… A combinação perfeita de sete cartas, sequenciais, é quase que uma benção da estatística nas mãos de uma jogadora.
E a combinação perfeita de pessoas legais em volta de uma mesa…
Esta não depende de estatística nenhuma, e sim da nossa disposição em estarmos juntas sempre que possível…

terça-feira, 1 de junho de 2010

Drogas

Meu posicionamento com relação às drogas sempre foi muito claro: sou contra as ilícitas e a-do-ro as lícitas. Sim, uma simples bula faz toda a diferença para mim.
Na semana passada em um momento de tráfico de drogas me livrei de um monte de remédios que tinha em casa e não usava. Foram para doação.

E hoje, achei 3 caixinhas de um remédio chinês que uma médica e acupunturista me indicou uma vez. Eu sei que parece mentira, mas o nome do remédio é: "chuan xiong cha tiao san". Apesar do nome, não veio da terra do tio sam.

Trata-se de uma medicação indicada para a enxaqueca, que eu tive em 2008. Na ocasião, a médica indicou que eu tomasse 6 comprimidos por vez, 4 vezes por dia! 24 comprimidos por dia. Após 3 dias, larguei o tratamento. Eu não tinha tempo livre para isto. Contas os comprimidos não estava aliviando minha dor de cabeça.

Hoje, estes 3 potinhos vão para o lixo.
Abaixo, coloco um link da internet que não me deixa mentir que a medicação com este nome existe de fato.

Chuan Xiong Cha Tiao San | ChineseMedicineTools.com: Chinese ... - [ Traduzir esta página ]
Natural Herbal Formulas That Release Exterior Disorders With Head and Neck SymptomsChuan Xiong Cha Tiao SanLigusticum Chuan Xiong Powder to be Taken w...
www.chinesemedicinetools.com/.../chuan-xiong-cha-tiao-san?... - Em cache

segunda-feira, 31 de maio de 2010

Fogão subiu

Caminhando pelo Rio de Janeiro pela manhã, domingo de sol, me deparo com a seguinte manchete de jornal: Fogão subiu.
Manchete concisa, bastante auto-explicativa, eu penso.
E concluo: poxa, se o fogão subiu, é sinal de que a inflação está de volta. Vai tudo aumentar: a geladeira (aquela que eu acabei não comprando), todos os eletrodomésticos, serviços, etc. Muito rapidamente, uma infinidade de pensamentos se formam: me lembro de quando era criança, governo Sarney, inflação astronômica, vários carrinhos de supermercado no dia do recebimento do salário, overnight, entre outros.
Desde que comecei a trabalhar e ganhar meu dinheiro, nunca convivi com inflação de verdade. Penso: será que vou ter que incorporar isto na minha vida?
No Zimbabwe, comprei um cheeseburguer e um refrigerante e paguei uma conta de 1 milhão de zim dólares. Oh não! será o prenúncio destes tempos voltando ao Brasil?
E eis que olhando mais detalhadamente... o jornal chama-se Lance... epa! algo diferente aí... estou no Rio de Janeiro... o jornal é de futebol... pesadelo suspenso... O Fogão é o Botafogo! Subiu na pontuação do campeonato!Tudo na normalidade nas Casas Bahia!

sexta-feira, 7 de maio de 2010

São Pedrinho

Dar nome aos bois não é fácil, mas dar nome às coisas é ainda mais díficil.
Algumas vezes participei, sériamente ou de brincadeira de conversas para ajudar amigos a batizarem empresas ou projetos.
Me lembro bem de uma vez, num restaurante com dois amigos, ficamos algum tempo tentando ajudar a amiga de um deles a definir o nome de um restaurante que ela ia abrir. Não chegamos a conclusão nenhuma, mas batizei um projeto do trabalho naquele dia com as sugestões. Desnecessário dizer que o projeto (de recursos humanos) nada tinha a ver com gastronomia.
Outra vez, um grande amigo, me ajudou a batizar este blog, lembrando que esta é uma das frases que eu mais falo, dada a minha conhecida intolerância a lerdeza humana.

Uma outra vez, fui convidada por uma amiga, para me juntar a um grupo de umas 10 pessoas, todos munidos com diferentes dicionários (inglês, mitologia, latim, entre outros) e vinho com o objetivo de escolher o nome da empresa dela. Lá pelas tantas, chegamos a 4 finalistas.

Fui sempre mal sucedida em palpitar nos nomes dos filhos dos amigos. Nada de surpreendente uma vez que eu sempre disse que se um dia tivesse uma filha, gostaria que ela se chamasse Isolda, homenagem a Isolda das mãos brancas, personagem frágil e fortíssima que tanto gosto na literatura.

E hoje novamente estou opinando na escolha de um nome para a empresa de uma grande amiga. Não está fácil. Em conversa com ela hoje, ela me disse: às vezes a gente simplesmente se acostuma com o nome, e ele torna-se natural. Concordo. Isto acontece.
A gente fica tentando relacionar a atividade a algum nome de grande impacto, e às vezes, um simples nome de fato torna-se super natural.

Me lembrei do livro do Saramago: Todos os nomes, e do personagem (cujo nome não me lembro, José, talvez) que trabalha em um cartório de nomes.

Curiosamente hoje peguei uma indicação com uma vizinha sobre um fornecedor para fazer um suporte de vidro para minha casa e o nome do estabelecimento era simplesmente: São Pedrinho!